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Blog do Marcio Atalla

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Terceira idade: tempo de cuidar de si e fazer exercícios

Marcio Atalla

2020-06-20T19:04:00

20/06/2019 04h00

Crédito: iStock

Vamos considerar a terceira idade sendo a fase pós-sessenta anos – esse número varia em alguns países – quando é muito importante manter uma rotina de exercícios. Se a pessoa foi ativa ao longo da vida, vai chegar aos 60 anos com mais força e vigor físico, mas se não foi, ainda dá tempo pra começar.

Na verdade, após os 30 anos nosso corpo já começa a mudar muito lentamente: o ritmo metabólico, a produção de vários hormônios, a própria constituição física. Ocorre uma pequena perda de massa muscular de forma espontânea, chamada sarcopenia, que em grego significa "pobreza de carne".  Porém, é a partir dos 60, 65 anos que a sarcopenia fica mais acelerada, e a perda de músculos pode chegar a 1% ao ano. Um estudo mostrou que o aperto de mão perde 2% da força, por ano, em pessoas idosas.

Esse processo desencadeia algumas situações, como por exemplo, a perda de autonomia para exercer as funções diárias, que acaba tornando a pessoa dependente da ajuda de outras em coisas simples, do dia a dia, como se abaixar e pegar alguma coisa do chão, por exemplo. Além disso, os ossos ficam mais fragilizados, sem a musculatura para protegê-los, facilitando as fraturas. O ritmo metabólico cai ainda mais, já que a quantidade de massa muscular é fator determinante para tornar nosso metabolismo mais ativo.

A boa noticia é que a atividade física regular torna esse processo bem mais lento. E para quem atingiu a terceira idade, está mais que na hora de iniciar um programa de exercícios com pesos, que pode ser feito em máquinas de musculação, com pesos livres, com Pilates ou ginástica funcional. Claro que essas atividades devem ser muito bem orientadas, visando preservar a saúde e o bem-estar do praticante. Está comprovado que há aumento de força e massa muscular, mesmo nessa idade, capaz de minimizar e até reverter o processo da sarcopenia.

A capacidade aeróbica também diminui com o passar dos anos, por isso é bom incluir atividades aeróbicas, fazendo caminhadas, ciclismo, natação, etc. Ainda vale colocar na agenda de atividades, exercícios de alongamento e equilíbrio, que são importantes para manter a qualidade de vida nas idades avançadas.

Todo esse movimento físico é fundamental , ainda, em dois aspectos da vida, que podem sofrer perda com o passar dos anos: o aspecto social, ou seja, estar inserido em grupos, fazer novas amizades, não se sentir fora c contexto social, bem como no aspecto cognitivo. Como, incansavelmente, escrevo em minhas colunas, um dos maiores beneficiados com a atividade física é o cérebro. Suas funções ficam "ativadas" com a oxigenação provocada pela atividade física, e há melhora de memória, foco, aprendizado, humor e autoestima.

Sim, quanto mais atividades diferentes forem combinadas, melhor será para a saúde do jovem idoso. Até porque sempre haverá as preferencias, aquelas que gostamos mais de fazer… E isso é fundamental para dar continuidade. Se por um lado, a pessoa trabalhou e se manteve ocupada com muitas outras preocupações durante todos os anos que passaram, por outro, esse momento é de focar nos cuidados com si mesmo, saber que a vida após sessenta deve ser ainda muito proveitosa, muito longa e que o melhor é estar pronto pra curtir junto com família e amigos.

No video de hoje, aproveito para falar que atividade física não é receita de bolo, e o que funciona pra uns, não funciona pra outros. Confere lá!

Até!

Sobre o autor

Marcio Atalla é professor de educação física, com pós-graduação em nutrição pela USP (Universidade de São Paulo). Depois de muitos anos como preparador físico de atletas de alto rendimento, passou a desenvolver uma série de iniciativas na mídia para incentivar a população a levar uma vida mais saudável. É autor de três livros, entre eles, “Sua Vida em Movimento” (ed. Paralela), com mais de 50 mil cópias vendidas.

Sobre o blog

Dicas simples e muito eficazes para você ajustar seu estilo de vida aos poucos, começando a se movimentar mais e a fazer melhores escolhas alimentares. Detalhe fundamental: todas baseadas em estudos, sem espaço para mitos e modismos que sempre surgem quando o assunto é saúde e bem-estar.