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Blog do Marcio Atalla

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Nós comemos mais do que devemos, mas por que somos tão gulosos?

Marcio Atalla

17/01/2019 04h00

Crédito: iStock

Imagine um americano com um pacote de pipoca e uma refrigerante na outra. Você desenha essa imagem na sua cabeça, com um saquinho de pipocas e um copo de 300 ml? Ou já vem à cabeça um saco "mega-ultra-giga" e um copão de mais de 1 litro? Mas, apesar da fama, os americanos não são os únicos gulosos do planeta. No mundo todo as porções são cada vez maiores e come-se muito mais calorias do que o necessário.

Um estudo recente feito aqui no Brasil e em mais alguns outros países demonstrou que não só comemos pior, como também em maior quantidade. E se engana quem acha que a "culpa" é só do fast-food. O prato "equilibrado" de arroz com feijão, salada e carne, típico do brasileiro, ganhou vários ingredientes. Entrou a farofa, a batata na salada, o ovo em cima do bife, a porção de arroz com feijão ficou maior… No final das contas tem mais de 30% das calorias que um fast food completo: sanduba, fritas e refri.

O Organização Mundial da Saúde preconiza que um adulto deva consumir entre 2.000 e 2.500 calorias por dia. Mas só esse prato aí de cima soma facilmente 1.500 calorias… Parece que a conta não vai fechar. Ou a pessoa vai passar o resto do dia sem comer mais nada.

O estudo analisou o teor calórico de amostras de refeições populares em diversos países, ou seja, aquelas que são vendidas por quilo, em pratos feitos ou marmitas. Os restaurantes escolhidos ficam em Ribeirão Perto (Brasil), Pequim (China), Kuopio (Finlândia), Acra (Gana), Bangalore (Índia). Tirando a China, todos os outros países vão pelo mesmo caminho.

Na verdade, somos ainda o mesmo Homo sapiens que ao se deparar com uma figueira, devorava todos os figos que nela havia, a fim de evitar perder as frutas para um chipanzé, sem saber quando seria nossa próxima refeição. Esse instinto ainda está aqui, dentro de nós. Porém, muito provavelmente nossa próxima refeição será bem mais breve que a dos nossos ancestrais. A disponibilidade de comida é muito maior que há algumas centenas de anos, quem dirá da época das cavernas. E com isso vamos acumulando energia, calorias, estocando em forma de… gordura!

E o que acontece na China, na Coreia do Sul, onde estive recentemente, no Japão? Por que eles conseguem manter as porções em tamanho apropriado? Seriam os tamanhos dos potinhos e dos pratos? Seria porque nos pauzinhos carregam menos comida que garfos e facas? Será que por fazerem pequenas refeições, estão sempre saciados e não precisam devorar seus pratos após ficarem cinco horas sem nada comer? Sim, para tudo! Sim para a tradição oriental que se mantém firme, que as estatísticas mostram, serem esses os países com menor índice de obesidade no mundo e mais longevos, não apenas em expectativa de vida, mas em qualidade de vida nas idades avançadas.

Comer demais é inflamatório. Dá trabalho para o corpo e seus órgãos. Envelhece. Comer o suficiente é legal. Então, minha dica é colha os figos, leve para casa e divida com a família! Comer de tudo, um pouco, e fazer atividade física sempre. Essa é a dica do Atalla mais conhecida e a que mais funciona!!

Aproveitando o embalo do tema, no vídeo de hoje do canal BemStar vou falar mais sobre cada um pode achar a sua medida certa!! Confere aqui!

Até!

Sobre o autor

Marcio Atalla é professor de educação física, com pós-graduação em nutrição pela USP (Universidade de São Paulo). Depois de muitos anos como preparador físico de atletas de alto rendimento, passou a desenvolver uma série de iniciativas na mídia para incentivar a população a levar uma vida mais saudável. É autor de três livros, entre eles, “Sua Vida em Movimento” (ed. Paralela), com mais de 50 mil cópias vendidas.

Sobre o blog

Dicas simples e muito eficazes para você ajustar seu estilo de vida aos poucos, começando a se movimentar mais e a fazer melhores escolhas alimentares. Detalhe fundamental: todas baseadas em estudos, sem espaço para mitos e modismos que sempre surgem quando o assunto é saúde e bem-estar.